Acesse, leia, comente e compartilhe!
Esta edição poderia ter sido monotemática – há tempo não era vista tamanha mobilização do noticiário em torno de uma mesma efeméride.
Porém, tratando-se de oito décadas de Chico Buarque, não haveria, de qualquer modo, jeito de ser monotemático. Como uma das figuras mais relevantes do País, além da vasta obra musical, o multiartista passeia com distinção pelo campo da literatura, do teatro, do cinema e, claro, do futebol.
Juntamente com a celebração do Artista Brasileiro, a inédita publicação desta semana traz a também profícua trajetória do cantor Chrystian, falecido nesta quarta-feira (19); e a pausa na carreira da cantora Sandy.
“Abra o peito bem devagar / E deixe / Sete notas a vibrar / E feche”
Há exatos 80 anos nascia Francisco Buarque de Hollanda, um dos sete filhos do historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Hollanda com a pintora e pianista Maria Amélia Cesário Alvim. Criado no seio da intelectualidade, o menino cresceu ligado em futebol, em clássicos da literatura e no melhor de uma época de ouro da música brasileira. “Quis ser palhaço, bombeiro, intelectual, jogador de futebol, padre, deputado, ladrão de automóveis, galã e arquiteto. Nada deu certo, e acabei mesmo tocando violão”, resumiu ele, em 1967, à revista Fatos e Fotos.
Compositor que transitou por vários estilos, sempre ao seu jeito. Enveredou pelas trilhas de cinema, pelo teatro, pelos musicais e, a partir de Estorvo (1991), conquistou o reconhecimento como romancista. O futebol é paixão inquestionável na vida de Chico Buarque. Aos 15 anos, batizou de Politheama o seu time de mesa. Em 1978, quando trocou de gravadora, Chico Buarque comprou um terreno e lá mandou construir o Centro Recreativo Vinicius de Moraes. Em seguida, promoveu o Politheama a time de futebol de verdade. Atualmente, há jogos toda segunda, quinta e sábado.
[O Globo e BBC]
O cantor e compositor, que completou 80 anos nesta quarta-feira (19), se tornou símbolo da luta contra a censura e a repressão. São muitas as letras de Chico Buarque que fazem referência ao período vivido durante a ditadura militar no Brasil. Ainda que presente desde 1964, a censura cresce de forma brutal no País a partir do AI-5; e Chico se torna um de seus alvos favoritos. “De cada três músicas que faço duas são censuradas. De tanto ser censurado, está ocorrendo comigo um processo inquietante. Eu mesmo estou começando a me autocensurar. E isso é péssimo”, disse Chico antes de um show no Canecão, em setembro de 1971.
[O Globo]
Chico Buarque é um dos maiores artistas do Brasil. O cantor e compositor tem 537 obras musicais e mais de 1.300 gravações cadastradas, segundo informações do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). Maria Bethânia foi quem mais vezes interpretou canções do compositor. A canção mais regravada de Chico Buarque foi Gente Humilde, que ele fez em parceria com Vinicius de Moraes e com o violonista, Garoto.
Ícone pop nos memes, Chico Buarque não somente tem atraído a garotada para os seus shows como é reconhecido como influência decisiva para uma série de novos compositores e intérpretes brasileiros.
Faça o teste e veja se você conhece a obra deste ícone da cultura brasileira que completa 80 anos em 2024.
[Estadão e O Globo]
O cantor e compositor sertanejo Chrystian, que fez dupla com o irmão Ralf, morreu na noite desta quarta-feira (19), em São Paulo, onde estava internado desde o início da manhã. A causa da morte do artista foi uma infecção generalizada decorrente de uma pneumonia agravada por comorbidades. Ele fazia tratamento para problemas renais e cardíacos.
Com Ralf, gravou sucessos que tiveram presença em famosas novelas. Ao todo, lançaram 20 álbuns, além de DVDs e algumas coletâneas; que venderam 15 milhões de cópias. Antes da dupla, na década de 1970, cantava sozinho e em inglês, seguindo um modismo na época. Começou carreira solo em 2021, após 40 anos de parceria com o irmão.
Chrystian tinha show marcado para o dia 22 em Franco da Rocha, na região metropolitana de São Paulo. Há dois dias, ele divulgou nas redes sociais a gravação de um programa com os cantores Renato Teixeira e Sérgio Reis. O cantor foi velado, na tarde desta quinta-feira (20), em São Caetano do Sul.
[Folha]
Na segunda-feira (17), em publicação nas redes sociais, a cantora Sandy se despediu oficialmente dos palcos para uma pausa na carreira. Em maio, a artista afirmou que iria fazer um “hiato” e que adiantou a despedida para ajudar as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. Os dois últimos shows aconteceram no sábado, 15, e domingo, 16, em São Paulo. “Preciso que as luzes do palco se apaguem por um tempo, pra que se acendem novos caminhos, novas ideias. E, no tempo certo, eu volto!”, escreveu.
[Estadão]
Lançamento da semana
- 40 anos ao vivo, projeto audiovisual de Zeca Pagodinho, gravado no estádio Nilton Santos em fevereiro deste ano e lançado no início da turnê que irá percorrer 13 cidades brasileiras – 21 de junho
- Um vento passou (para Paul Simon), faixa de Milton Nascimento com participação do norte-americano e da Orquestra Ouro Preto, fruto do álbum vindouro com Esperanza Spalding – 21 de junho
Para ficar ligado!
- Operária da canção, segundo disco solo de Antonia Medeiros, cuja música-título foi gravada com a adesão vocal de Zélia Duncan na pisada de estilizado baião – 4 de julho
- Tom Jobim musical, no ano em que a morte do maestro completa três décadas, o espetáculo com texto de Nelson Motta e Pedro Brício chega à cena no Rio de Janeiro – 17 de outubro
Vibrações é uma curadoria de notícias da Música Popular Brasileira. Todo sábado a publicação chega por e-mail com o que houve de mais expressivo no noticiário cultural da semana. Trata-se de divulgar e promover as produções inéditas e memoráveis da admirável arte nacional.
Deixe um comentário