Vibrações

Edição 09: Cyva, Alex Moreira, Daniela Mercury e Léo Jaime


“O corpo a morte leva. A voz some na brisa. A dor sobe pr’as trevas. O nome a obra imortaliza.” São com esses versos de Paulo César Pinheiro e João Nogueira que se abrem as páginas desta edição pautada por partidas e celebrações.

A cantora Cyva Ribeiro de Sá Leite, do Quarteto em Cy, morreu na noite do último domingo (22), aos 85 anos. A integrante e fundadora do grupo vocal estava internada há um mês, em hospital no Rio de Janeiro (RJ), e não resistiu a um quadro de septicemia

O Quarteto em Cy foi formado em 1964 pelas irmãs Cyva, Cynara, Cybele e Cylene. Em 1965 participou do icônico disco Afro-sambas com Vinicius de Moraes e Baden Powell. Em 1968, em nova formação, esteve junto a Tom Jobim e Chico Buarque no palco da Maracanãzinho, quando a canção Sabiá, de ambos, levou uma tremenda vaia da plateia no III Festival Internacional da Canção.

Cylene agora é a única integrante remanescente da formação original. Em maio deste ano, Cynara também morreu no Rio, aos 78 anos. Internada com pneumonia, por complicações na recuperação de uma cirurgia após ter quebrado o fêmur, morreu de insuficiência respiratória. Cybele já havia falecido em 2014, devido a uma isquemia pulmonar.

[O Globo e Estadão]


No mesmo domingo (22), foi anunciada também a morte de Alex Moreira, aos 58 anos, tecladista e um dos fundadores do Bossacucanova. O trio, formado juntamente com Márcio Menescal (baixo) e Marcelinho da Lua (DJ), surgiu em 1997, com a ideia de misturar elementos da música eletrônica com bossa nova. Também engenheiro de som e produtor musical de vários nomes da MPB, foi vencedor do Prêmio da Música Brasileira em 2015 e indicado duas vezes ao Grammy Latino. Confira a performance do Bossacucanova.

[Estadão e O Globo]


Para celebrar as quatro décadas de carreira, Daniela Mercury esteve novamente na Praça da Apoteose, palco do histórico show de 1992, onde apresentou os sucessos do então recém-lançado O Canto da Cidade. A apresentação, que virou um especial de TV, é considerada um divisor de águas para a Axé Music, gênero musical com gênese nas ruas de Salvador.

Entre as atrações do último dia da Micareta Rio, no domingo (22), a artista baiana contou com a companhia dos grupos afros Olodum, Ilê Aiyê e Didá. Também recebeu no palco, além dos filhos Gabriel e Giovana, as cantoras Ivete Sangalo e Luísa Sonza para duetos.

Ao longo dos anos, o gênero que ajudou a construir e popularizar foi alvo de inevitáveis transformações. “Nos ensaios com os blocos, percebi que a gente está tocando [as músicas com] a levada e a divisão rítmica completamente diferente do que a gente tocava há 30 anos. Naquela época foi o Neguinho do Samba quem me ensinou. Será que nós nos perdemos um pouco no caminho? A gente vai mudando, nem se dá conta, a gente perde um pouco aquela estrutura”, avaliou a cantora em entrevista para o UOL.

[G1, Veja Rio e UOL]


Outro que celebra 40 anos de estrada é Léo Jaime. O artista é figura marcante da geração BRock, efervescente durante a década de 1980. Além dos próprios sucessos, como A Fórmula do Amor, composição com o parceiro Leoni, foi ele quem apresentou Cazuza (1958-1990) a Frejat, por exemplo, dando origem ao grupo Barão Vermelho. O cantor e compositor também teve passagens pela TV, como ator, comentarista e dançarino.

[Folha]



Em janeiro, Daniela Mercury soma-se novamente ao Ilê Aiyê, mas desta vez também com Margareth Menezes. Essa reunião não acontecerá somente entre eles. A organização do Festival de Verão de Salvador anunciou nesta terça-feira (24) a programação da edição de 2024, marcada para ocorrer nos dias 27 e 28 de janeiro, no Parque de Exposições de Salvador. 

Ao todo, serão 15 encontros de artistas brasileiros no palco, no estilo “convida”, formato proposto para o festival neste ano, quando o produtor Zé Ricardo assumiu a direção artística do evento. Além da trinca comandada por Daniela Mercury, são algumas das outras combinações Carlinhos Brown & Baiana System, Lulu Santos convida Gabriel o Pensador e Seu Jorge convida Mano Brown.

O Festival de Verão 2024 será transmitido ao vivo, além dos compactos com os melhores momentos. Os ingressos, que custam a partir de R$ 150, já estão à venda.

[Estadão]


Não só de nomes consagrados sobrevive a música brasileira. Os novos artistas promovem a renovação da produção nacional. Com esse preceito, o Prêmio Grão de Música chega à décima edição em 2023, com a fidelidade de laurear artistas da cena alternativa com abrangência nacional e com foco na produção fonográfica independente. 

Programada para 15 de dezembro, no Teatro Brincante, em São Paulo (SP), a cerimônia deste ano entregará o troféu criado pelo artista visual Elifas Andreato (1946-2022) a 15 artistas oriundos de 13 estados do Brasil. Uma coletânea é formada a cada ano com a amostra do trabalho de cada artista premiado. Confira.

[O Globo]



Lançamento da semana


Para ficar de olho!

  • Dança do tempo,  primeiro álbum solo de Ubiratan Marques, pianista, maestro e educador integrante da banda BaianaSystem e fundador da Orquestra Afrosinfônica – 3 de novembro
  • Elza ao vivo no Municipal, especial em streaming do documentário musical da apresentação de Elza Soares (1930-2022) gravada em São Paulo (SP) dois dias antes da morte da artista – 5 de novembro
  • Oitenta, álbum duplo do octogenário Edu Lobo, quem comanda os arranjos e a arregimentação dos intérpretes, como Mônica Salmaso, Vanessa Moreno e Zé Renato – 7 de novembro


Vibrações é uma curadoria de notícias da Música Popular Brasileira. Todo sábado a publicação chega por e-mail com o que houve de mais expressivo no noticiário cultural da semana. Trata-se de divulgar e promover as produções inéditas e memoráveis da admirável arte nacional.