Vibrações

Edição 08: Caetano Veloso, Tom Zé e Rosinha de Valença


A música popular brasileira foi reverenciada nesta semana pela indicação a prêmios de vários de seus integrantes mundialmente respeitados.

A União Brasileira dos Compositores (UBC) concederá a Caetano Veloso o Prêmio do Compositor Brasileiro. A cerimônia oficial está agendada para 5 de dezembro,
na sede da instituição de gestão de direitos autorais, no Rio de Janeiro (RJ). Na ocasião, representantes de diversas gerações interpretarão músicas do homenageado sob a direção artística de Zé Ricardo.

Material não faltará. O artista, que foi o eleito justamente pelo conjunto da obra, acumula mais de seis décadas de carreira, somando 642 composições registradas e 1988 gravações como intérprete. Foram 56 álbuns lançados, sendo 30 de estúdio, 20 ao vivo e 6 coletâneas. Caetano foi ainda cinco vezes indicado ao Grammy Awards, tendo vencido em 2001 e 2002 na categoria Melhor Álbum de Música Global. Além de ter sido 29 vezes indicado ao Latin Grammy, dos quais venceu 13 troféus, em diversas categorias.

Caetano une-se a um time de sete laureados pela UBC, desde que o prêmio passou a existir em 2017. Junto a ele, pela ordem com que foram homenageados, estão Gilberto Gil, Erasmo Carlos (1941-2022), Milton Nascimento, Herbert Vianna, Djavan e Alceu Valença.

[G1 e O Globo]


Outro baiano e representante da Tropicália será homenageado em solo italiano. Tom Zé receberá neste domingo (21) o Prêmio Tenco 2023, distribuído desde 1974 para artistas que deram suporte à canção autoral mundial. O cantor e compositor é o único brasileiro condecorado neste ano. Antes dele, outros quatro foram agraciados: Vinicius de Moraes (1975), Chico Buarque (1981), Caetano Veloso (1990) e Gilberto Gil (2002).

[Estadão]


A edição americana da revista Rolling Stone, em mais uma de suas emblemáticas classificações, incluiu dois brasileiros entre os 250 melhores guitarristas de todos os tempos. Ilustres exemplares da escola de violão brasileiro, um deles é João Gilberto (1931-2019), pilar da bossa nova; e a outra é Rosinha de Valença (1941-2004), nascida na cidade de Valença, no sul do Rio de Janeiro (RJ), uma das mais influentes instrumentistas, compositoras e arranjadoras de sua geração.

[Estadão]



Opinião. O artista expressa a si mesmo, seus pensamentos e suas emoções. A recepção pelo público nem sempre lhe é a desejada.

O dilema de Ed Motta com o público brasileiro é de longa data. Em entrevista acerca de seu novo lançamento (saiba mais no Lançamento da semana desta edição), o artista, que traz em seus quatro últimos álbuns canções em inglês, compreende que se encontra em um nicho – ou em um vácuo – da música brasileira. “Estou no purgatório da música brasileira. Não me classifico como um artista de jazz. Não me classifico como um artista popular. Não estou interessado também em comungar com a opinião média. Estou bem, feliz assim”, disse ao Estadão.

[Estadão]


Outro a quem se atribui certo absentismo midiático é Guilherme Arantes. O compositor que “se você juntar dez brasileiros e começar a cantar uma música de Guilherme Arantes, vão cantar uma atrás da outra”, conforme declarou Lulu Santos, escreveu nesta semana sobre o seu desconforto com as aparições na imprensa, especialmente, no cenário atual. “Me perguntam por que evito fazer televisão. É que tenho percebido que minha imagem pode trazer danos à audiência da TV, pode trazer danos a mim”, começou, em tom de desabafo.

[Estadão]


A era da informação e a sua implicação no fazer artístico também foi o foco da reflexão de Emicida, que está “hoje no primeiro time da MPB”. “Vivemos num tempo em que a pressa é uma espécie de divindade e me preocupa que essa velocidade possa obrigar os artistas, sobretudo os mais novos, a produzirem para manter o fluxo de informação das redes sociais e não para de fato apresentarem algo novo”, afirmou para O Globo, às vésperas da apresentação do Rio Montreux Jazz Festival.

[O Globo]



Lançamento da semana


Para ficar de olho!

  • O samba não é de ninguém, álbum de Zeca Baleiro com repertório inédito e autoral dedicado ao samba e com capa de Elifas Andreato (1946-2022) – 27 de outubro
  • Balai de feira, álbum do baterista e percussionista Guegué Medeiros celebrando a cultura nordestina em 12 músicas autorais – 27 de outubro
  • Planeta Atlântida 2024, próxima edição do maior festival de música do sul do país – 2 e 3 de fevereiro de 2024


Vibrações é uma curadoria de notícias da Música Popular Brasileira. Todo sábado a publicação chega por e-mail com o que houve de mais expressivo no noticiário cultural da semana. Trata-se de divulgar e promover as produções inéditas e memoráveis da admirável arte nacional.